CARTA DE OCUPAÇÃO DA CASA AMARELA – CASA FOI OCUPADA NESTE MOMENTO

Em todo o mundo existe uma especial atenção dos gestores públicos para as possibilidades de ressignificação dos espaços públicos das metrópoles. No leste europeu, inúmeros edifícios industriais e antigos birôs da burocracia de Estado transformaram-se em ateliês compartilhados por coletivos artísticos, criando novas possibilidades para o diálogo entre a produção artística e as populações das cidades. Essas iniciativas estão espalhadas por inúmeros países e tem na França um exemplo muito significativo com a ocupação do Teatro Du Soleil na antiga fábrica de munições na periferia de Paris.

Na cidade de São Paulo, o poder público tem sinalizado com iniciativas como a chamada “revitalização da região da luz”, promovendo uma ocupação artística e cultural com museus, espaços de dança, literatura, ateliês de artes visuais, Universidade livre de música, Sala de Concerto e restauração do patrimônio histórico, contudo, essas iniciativas têm sido pouco potencializadas na medida em que não estabelecem um diálogo verdadeiro entre a população do entorno e o conjunto da população da cidade, fazendo com que essas ações sejam identificadas apenas como práticas higienistas que favorecem aos interesses da especulação imobiliária.

Na região da Barra Funda, ainda que sem o auxílio do poder público, vários coletivos artísticos instalaram suas sedes constituindo-se numa ilha de produção artística e difusão cultural. A região da Consolação e Praça Roosevelt embora projete a imagem de um pólo cultural consolidado, enfrenta ameaças constantes da especulação imobiliária expressa em pedidos de desocupação e aumento exorbitante dos aluguéis. Nesta mesma região, o interesse Público x interesse do Capital imobiliário tem pautado uma verdadeira luta de resistência do movimento em defesa do Parque Augusta.

Nas periferias da cidade, inúmeras iniciativas de ocupação de espaços públicos por coletivos artísticos transformaram o panorama cultural da cidade democratizando o acesso à produção cultural, ainda assim, não raro essas ocupações artísticas e culturais são ameaçadas pela burocracia dos poderes públicos e interesses de caciques políticos locais.

A cerca três anos um coletivo de artistas, composto em sua maioria por artistas de teatro, mas também por artistas de dança, música e circo e artes visuais, associados e não associados à Cooperativa Paulista de Teatro, vem se reunindo para discutir a pauta da ocupação de espaços públicos por coletivos artísticos. Durante esse tempo, buscamos aproximação com gestores públicos municipais, estaduais e federais, com objetivo de estabelecer um diálogo que se desdobrasse em ações concretas de ocupações de espaços públicos ociosos na cidade em beneficio da produção artística e cultural da cidade e de seus cidadãos.

Nessas tentativas de aproximação, algumas iniciativas foram tomadas, dentre elas o encaminhamento de um pedido ao CONDEPHAAT para a disponibilização de espaços tombados pelo patrimônio na cidade de São Paulo. A proposta de ocupação desses espaços por coletivos artísticos, apesar de ter sido muito bem recebida, não produziu sequer uma ação para sua viabilização, mostrando-nos que somente o diálogo sem qualquer encaminhamento é absolutamente inócuo. Quase ao final da gestão anterior da Prefeitura Municipal de São Paulo, o antigo prefeito chegou a fazer pronunciamentos em defesa da função social da propriedade contra os edifícios ociosos, no entanto, encerrou-se a gestão e os pronunciamentos mostraram-se igualmente inócuos.

No momento em que realizamos uma ocupação artística na chamada Casa Amarela na região da Consolação, nós, artistas de diversas linguagens organizados nesse movimento, reafirmamos, mais uma vez nossa proposta de ocupação dos espaços ociosos e abandonados, pertencentes ou não ao poder público. Esses novos espaços culturais da cidade serão ocupados e geridos por coletivos de artistas com projetos de ocupação elaborados em consonância com a realidade local, tendo como foco a abertura de diálogo e ação com a população do entorno. Com isso, pretendemos resgatar a possibilidade de construção da experiência no espaço da cidade e tornar a produção artística e cultural numa vivência cotidiana espalhada pela metrópole.

Movimento de Ocupação de Espaços Públicos Ociosos para Formação de Ateliês compartilhados.

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